Na segunda-feira passada fiz um requerimento (post anterior) com carácter de urgência à vereadora da Habitação Social, talvez por achar que já estava a ser demais a forma atroz com que as pessoas estão a ser tratadas, quer pelo mais ignóbil Drº Mário Jorge Rebelo (Responsável da Domus Social), quer pela “Dama de Ferro” Vereadora Drª Matilde Alves, quer pelo autocrático Presidente da Câmara Municipal do Porto Drº Rui Rio.
Depois de ter recebido o alerta para tentar ajudar uma emergência, um homem de 60 anos desalojado que se encontra a dormir no Parque da Cidade, inocentemente pensei que poderia resolver a situação colaborando com a Junta de Freguesia de Aldoar e expondo à Câmara Municipal do Porto; Nada mais de errado!
Nada mais de errado porque este executivo camarário não quer apoiar socialmente os mais pobres, este executivo camarário quer expulsar os pobres da cidade, despejando famílias aos “packs” de dúzias como se de uma limpeza se trata-se numa campanha de higienização da cidade nunca antes vista.
É inacreditável quando mergulho nas analises estatísticas e verifico Rui Rio desalojou 8000 pessoas dos bairros sociais. No último dossier camarário, em 1999, a cidade do Porto tinha perto de 39000 pessoas nos 42 Bairros Sociais, tendo actualmente 31459. Para onde foram estas 8000 pessoas? O que lhes aconteceu? Será que esta gente saiu do Porto para os concelhos limítrofes? Ou será que esta gente ficou por cá nas piores casas das “ilhas”?
Enquanto Vereador da CMP e Presidente da Assembleia de Freguesia de Campanhã já assisti a vários casos de desprezo social da Câmara, foi assim com o caso que expos no requerimento anterior, tem sido assim com a demolição do Bairro de S.Vicente de Paulo em curso, foi assim com a demolição do Bairro de S.João de Deus, mantém-se assim como as centenas de casos de despejo no último ano.
Esta é a Câmara que aplica a lei “Salazarenta” de 1945, que concedeu a título precário a ocupação das casas, considerando um Regime de Renda Apoiada, andando agora numa atitude “pidesca” a despejar as pessoas ao primeiro sinal de rendas em atraso ou de não entrega das declarações de rendimentos do agregado familiar ou pelo facto de serem arguidos em processos. Esta é a Câmara que não introduz uma rede social integrada no concelho, que não avalia os problemas das pessoas, que não dialoga com os seus inquilinos, que não apoia os mais desfavorecidos. Esta é a Câmara que aproveita que as pessoas saiam para trabalhar para entrar dentro das suas casas, despejando e ficando com todos os seus bens, deixando as pessoas sem casa, sem roupa, sem comida e sem cama para dormir. Será difícil de entender que quem não tem dinheiro para pagar uma renda social dificilmente terá dinheiro para pagar os custos de armazém do material que a Câmara recolhe?
Estamos a atravessar a pior fase social em Portugal, onde reina a Pobreza, o Desemprego e a exclusão social. É nesta fase que o presidente de Câmara Municipal do Porto demonstra a maior desumanidade e insensibilidade social.


1 comentário:
ler todo o blog, muito bom
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