A Evolução Natural é um processo muito lento que ao longo do tempo fomentou o surgimento de novas espécies. A este processo de tentativa e erro está associada a deriva de mutações genéticas aleatórias que periodicamente produzem uma nova espécie.Foi assim que aconteceu, há aproximadamente 6 milhões de anos atrás em que os humanos e os chimpanzés se separaram de um ancestral comum. Os primeiros hominídeos fósseis que datam desse tempo, foram encontrados perto da Tanzânia e Quénia. A origem da nossa espécie partiu assim, da Africa Central, depois emigram e atingiram outros pontos do planeta.
De todas as evoluções obtidas pelas várias espécies de hominídeos, sem duvida que a mais determinante foi o surgimento da linguagem. Quando há 75 mil anos atrás, o homo erectus, sedentário, com contactos mais próximos entre indivíduos do mesmo grupo, apoiado por uma transformação na laringe, transforma o grunhido em fala, a espécie entrou definitivamente numa nova era, em que a velocidade de transformação é muito acelerada.
Mas fisicamente o Homo Sapiens não evolui desde à 10 mil anos atrás. Dizem os cientistas que um bebe nascido hoje, recuado na máquina do tempo, iria ter o mesmo comportamento do que os outros dessa Era. Da mesma forma um bebe nascido à 10 mil anos atrás e trazido para os nossos tempos iria ter a mesma habilidade e capacidade do que um outro qualquer do nosso tempo. Isto dá que pensar...
A evolução humana é hoje um dos principais temas dos debates científicos. Hoje prova-se que o genoma humano difere apenas 1% do chimpanzé. Chocante?
A engenharia genética todos os dias dá passos importantes na descoberta da nossa biblioteca da vida, o ADN. É de conhecimento público que são feitas alterações aos códigos genéticos de espécies vegetais para fins alimentares, os Transgénicos. É também do conhecimento de todos, que esta engenharia com base em alterações genéticas e clonagem de animais, já apresentou grandes contributos ao surgimento de novos medicamentos contra a malária e hepatite B, o tratamento do cancro, a insulina e outros.
Mas então porquê tanta adversidade à engenharia genética?
A resistência popular à engenharia genética começou gradualmente a aumentar de tom e a ter grande relevância política, sobretudo depois da mistificação do tema “clonagem”.
Muitos contribuíram para isso, mas sem dúvida que a possibilidade de alteração ao património genético humano, abrindo portas a encomendas de pais de futuros descendentes por catálogo, criou um imbróglio que fomentou o pior persecutório fanatismo religioso.
Há milhares de anos que a Natureza é responsável pela Selecção Natural das espécies. Desde sempre ocorreram reproduções ineficientes de algumas moléculas, desde sempre aconteceram mutações genéticas no processo evolutivo do homem. Nestes casos, reza a história que apenas os mais fortes sobrevivem, é assim que sempre se procedeu a selecção natural, permitindo geração de uma espécie humana mais forte, resistente e inteligente.
Charles Darwin em “A Origem das Espécies”, escreveu assim no ano de 1859:
“Pode-se dizer que a selecção natural realiza seu escrutínio dia a dia, hora a hora, pelo mundo, de qualquer variação, mesmo as mais subtis; rejeitando aquelas que são ruins e preservando e fazendo prosperar todas as que são boas; trabalhando silenciosa e imperceptivelmente, onde e quando surgir a oportunidade na melhora de cada ser orgânico em relação a suas condições orgânicas e inorgânicas de vida. Não vemos nada desse lento progresso, até que os ponteiros do relógio das eras tenham marcado um longo lapso de tempo e assim tão imperfeita é a nossa visão sobre o profundo passo das eras geológicas que tudo o que podemos ver é que as formas de vida são agora diferentes daquelas que existiam antes.”
Recorro a este contexto histórico, para sublinhar que antigamente as espécies mais fracas eram eliminadas naturalmente, mas hoje isso já não acontece.
Felizmente para todos os progressos da medicina tem permitido o salvar milhões de vidas, oferecendo cada vez melhor qualidade de vida aos doentes, conseguindo suavizar as deficiências individuais, aumentando a longevidade do homem. Mas a medicina permite também que muitos indivíduos portadores de deficiências genéticas possam reproduzirem-se, terminando com um processo longínquo de selecção natural, abrindo uma nova era de mutações e degenerações genéticas. A transmissão de genes com defeitos entre gerações tende a agravar-se. Mas se temos capacidade e o conhecimento para evitar isto porque não o fazemos?
É neste ponto que temos de reflectir e evoluir.
Desde sempre fomos sedentos de conhecimento, desde sempre o Homem se entregou a buscas heróicas pelo desconhecido, desde sempre o Homem se mostrou como um ser frenético pelo progresso, pela evolução. Tal como há 75 mil anos atrás descobrimos a Linguagem e revolucionamos o mundo, hoje temos em mão uma outra viragem para fazer, “A Engenharia Genética”.
O conhecimento científico acerca do corpo humano crescer exponencialmente, de uma forma vertiginosa, a níveis que permitiram depurar a raça. Mas é aqui que começam os problemas; A engenharia genética é todos os dias confrontada com imbróglios legais e bioéticos. Os principais problemas surgem porque é do senso comum que à habilidade tecnológica para modificar os genes humanos, permitindo que sejam efectuadas correcções higiénicas ao Homem dando por certo para todos o aumento da longevidade.
No entanto temos de se abrir uma porta ética que permita o uso desta mesma tecnologia em benefício do Homem, exigindo sempre um controlo apertado pela sociedade que nós salvaguardemos do risco da criação de uma nova espécie o “Puro Sapiens”.

2 comentários:
Ca estarei eu, leitor atento deste teu blog.
Abraco grande
Joao Dias
Ótimo texto. Parabéns :)
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